segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Alagoas: Efetivo da PM deve cair pela metade nos próximos cinco anos


Alagoas tem 1 policial para cada grupo de 405 habitantes; ONU recomenda a média de 270
A situação de efetivo reduzido da Polícia Militar de Alagoas pode se agravar, caso não se reverta a proporção entre afastamentos para a reserva e ingressos de novos quadros. Nos próximos cinco anos, metade do efetivo de cerca de 7,4 mil militares da corporação (ou 3,7 mil PMs) deve ir para a reserva, desfalcando o policiamento.

A projeção é da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal) e toma como base o tempo de serviço.

“Neste período, dentro desses próximos cinco anos, nada menos que metade da corporação completará a idade limite de ir para a reserva”, diz o presidente da entidade, major PM Wellington Fragoso, que também critica as formas de distribuição utilizados pelo comando.

“Não adianta você ter dois policiais numa cidade, como acontece em vários municípios do interior de Alagoas. Primeiramente, eles não conseguem fazer policiamento ostensivo com esse número. E uma distribuição como esta ainda põe em risco a própria integridade física do policial”, acrescenta.

Em cidades como Roteiro, Pindoba ou Chã Preta, em várias regiões de Alagoas, o efetivo da PM é reduzido e várias localidades registram casos de ataques a casas lotéricas, bancos e correspondentes bancários ou dos Correios.

Oficiais vão para a reserva ainda muito jovens, aos 45 anos de idade

Para a Assomal, além da redução de efetivo, a gestão da segurança pública deveria atentar para a saída de pessoal que ainda poderia contribuir com o setor.

“Estamos colocando pessoas jovens para fora, para a reserva. Para um oficial superior [coronel], 45 anos não é uma idade avançada. Ele ainda poderia contribuir muito. E claro que coronel não vai correr atrás de bandido. Sua função é coordenar as ações de policiamento”, diz o major PM Wellington Fragoso, presidente da entidade que representa PMs e bombeiros com patentes de tenente a coronel.

“E para essa função, uma idade como essa é o auge da carreira, porque já acumulou experiência e está relativamente jovem. Em vez disso, estamos colocando essas pessoas para fora, para casa, para ficar tomando água de coco”, afirma Fragoso.

O vencimento de um militar da PM de Alagoas com essa patente é de cerca de R$ 11 mil brutos – para a associação, ainda aquém das atribuições do cargo.

Presidente do Conseg acredita que problema vai ser contornado

O presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública, Maurício Breda, diz que a situação é vista com preocupação, embora ainda não tenha adquirido contornos mais graves e que acredita numa recuperação gradual do efetivo.

“Há um deficit, sim. Mas isso é decorrência de muitos anos sem concurso na área. Mas creio que em mais três ou quatro anos possamos recuperar esse efetivo”, avalia.

Ele lembra que, como juiz de Direito, acompanha de perto a questão de efetivo para a segurança pública e que sua própria instituição, o Judiciário, teve de fazer concursos somente mais recentemente e que também conviveu com carência de quadros para muitas comarcas.

“Não vamos esperar que ingressem 900 PMs por ano, mesmo porque não é esse o contingente que se afasta no período de um ano”, diz.

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