sexta-feira, 19 de julho de 2013

Ministério da Justiça considera correta postura da PM do Rio

Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e canhão d’água em bairros residenciais como o Leblon
Lojas foram saqueadas, placas de sinalização arrancadas e bancos tiveram vidros e portas quebrados durante protesto no Rio de Janeiro
Entidades que defendem os direitos humanos têm criticado sistematicamente a atuação da polícia militar nos protestos que se espalham pelo País desde junho. No Rio de Janeiro, que recebeu a final da Copa das Confederações e está prestes a ter a visita do papa Francisco, a situação não é diferente. Mas o Ministério da Justiça avalia como correta a postura da PM e acha que nada deve mudar para a Jornada Mundial da Juventude, que começa na próxima terça-feira.
Na noite da última quarta-feira, a Polícia Militar do Rio usou bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha para conter manifestantes que jogavam coquetéis molotov e fogos de artifício contra as barreiras montadas próximas à casa do governador Sérgio Cabral, no Leblon, bairro com o metro quadrado mais caro do País. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) criticou a ausência de agentes em outras regiões do bairro, onde vândalos mascarados depredaram e saquearam lojas, bares e agências bancárias sem qualquer constrangimento.
“As polícias estão utilizando de maneira adequada o equipamento que têm à disposição, tanto que em todos os protestos no Brasil não tivemos nenhuma morte por causa da atuação direta de policiais. Isso não acontece em nenhum outro lugar no mundo”, disse o secretário de operações da secretaria extraordinária de segurança para grandes eventos do Ministério da Justiça, José Monteiro.
Confrontado com as opiniões distintas de entidades de direitos humanos e fatos como a suspensão de agente do Batalhão de Choque acusado de excesso, assim como de publicitária que perdeu a visão de um olho por causa da explosão de uma bomba de efeito moral, o secretário não recuou.
“Qualquer excesso tem que ser identificado e punido. Sabemos que houve alguns ferimentos. As atitudes da polícia militar têm sido necessárias. Qualquer excesso individual não pode invalidar a atuação correta do restante da tropa”, avaliou Monteiro.
O secretário garantiu que a polícia continuará utilizando os equipamentos que tem à disposição, mas sempre levará em consideração o comportamento de minimizar riscos. “A polícia não pode causar riscos. A utilização desses equipamentos é sempre avaliada dentro do critério técnico. Jamais vamos fazer utilização de qualquer meio que aumente o risco em meio a uma multidão como as que teremos na JMJ”, afirmou.
Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.
A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.
O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.
A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.
TERRA

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