segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A PMERJ ficou órfã Policiais Militares perderam o melhor CMT dos últimos 30 anos.

O coronel Erir Ribeiro Costa Filho Foto: Luciana Paschoal / Arquivo Agência O Globo
O coronel Erir Ribeiro Costa FilhoLUCIANA PASCHOAL / ARQUIVO AGÊNCIA O GLOBO
RIO — Após reunião na Secretaria de Segurança, o comandante-geral da Polícia Militar do Rio, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, foi exonerado do cargo, na tarde desta segunda-feira, pelo secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame. O secretário ainda avalia o nome do sucessor do coronel Erir Costa Filho no comando da corporação.
"Mudanças fazem parte do processo de gestão e devem ser vistas com naturalidade", disse Beltrame, em nota. Ele destacou o empenho do coronel Costa Filho no período de 1 ano e 10 meses à frente da PMERJ. "Quero ressaltar o trabalho e a integridade do comandante Costa Filho, além de seu amor à corporação que comandou", afirmou o secretário.

A justificativa para tal medida, segundo o comandante-geral, foi a falta de efetivo para atuar no policiamento durante a Copa das Confederações, a Jornada Mundial da Juventude e as manifestações ocorridas nos últimos dois meses. O coronel garantiu ainda que os 325 policiais militares beneficiados com a decisão não respondem a crimes, seja na esfera criminal na Justiça, seja em inquéritos policiais militares (Conselhos de Justificação e Disciplina) na Polícia Militar.Mais cedo, Erir Ribeiro da Costa Filho havia dito que não havia crise entre ele e Beltrame [VEJA VÍDEO]. No domingo, Beltrame afirmou que não gostou da medida de Erir em anistiar as punições administrativas na Polícia Militar, ameaçando revogar a decisão dele. O coronel explicou ao GLOBO que se tratava de um ato administrativo, publicado no boletim interno da corporação no dia 1º de agosto, no qual faltas disciplinares ocorridas de 4 de outubro de 2011 até o momento — como policiais com calçados sujos que são punidos com detenção — seriam relevadas.
— No lugar de deixar os policiais detidos no quartel, sem fazer nada, optei por colocá-los para trabalhar. Havia muita demanda e tínhamos de arrumar uma solução. Depois eles voltavam para permanecer no quartel. Eles só voltavam para a casa quando terminava o prazo da detenção. Além disso, a punição vai para a ficha do policial. Não existe anistia. Trata-se de relevação de punições. Agi como um pai que pune o filho quando faz besteira, mas releva quando pratica uma boa ação. Na verdade, só não deixei que eles ficassem presos no quartel — explicou o comandante-geral.
De servente a comandante da PM
Morador de Olinda, em Nilópolis, Erir começou sua história na PM anos 70, quando, ainda jovem, trabalhava como servente e varria o chão do Quartel General da Polícia Militar. Com o salário, ajudava a mãe e a avó, com quem morava. Acabou juntando dinheiro e entrando para a escola de oficiais da corporação. Conhecido por ser um homem de hábitos simples, Erir preferiu continuar morando no bairro em que nasceu mesmo depois de assumir o posto máximo da corporação. Em 2003, quando era comandante do 4º BPM (São Cristóvão), foi exonerado após revelar que o deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PMDB) lhe pedira uma trégua no combate ao tráfico na comunidade. A denúncia do oficial lhe custou o cargo mas rendeu a Erir o reconhecimento da sociedade e, de quebra, o Prêmio Faz Diferença, concedido pelo GLOBO.

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