domingo, 2 de dezembro de 2012

SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL: Mãe relata triste experiência.



Eu, mãe do anjo Benício Barrili Camara Gonçalves, venho por meio deste texto relatar a maior tristeza da minha vida que se não for alertada pode se multiplicar
para vida de outras mães que iram sofrer.

Meu filho era saudável e muito bem cuidado, porém, no dia 13 de novembro começou todo o drama. Estava muito quietinho, achei que era reação das vacinas, mas na verdade havia obtido uma doença rara por meio de uma bactéria e eram os primeiros sintomas. Assim que acordou por volta de 16:00 tinha uma ronco no nariz ao respirar, então tentei fazer nebulização mas ele chorava muito e se contorcia, logo teu choro tinha pausa de 5 segundos e sucessivamente. Meu marido saiu correndo, não encontrou a chave do carro, então correu até o consultório do pediatra Dr. Armando Souto, aqui em Queimados mesmo, e lá ele mandou correr para o Hospital Infantil de Queimados - sem nem olhar para meu filho. Mais uma vez ele teve que ir correndo e enquanto isso o Benício desfalecia e ele fazia respiração boca a boca, até que o bebê fechou os olhos e ele sugou sua língua foi quando ele voltou a tentar respirar e chorar pausadamente. Ao chegar ao hospital (que era distante de nossa casa) precisaria ser incubado, mas não tinha recurso para isso. Meu filho foi um guerreiro, fizeram os poucos procedimentos que podiam. Verificaram a glicose e estava altíssima, e seu oxigênio de 100% estava em 30% e teu coração batendo bem fraquinho. Cada respiro era uma gemida...
Eu queria sentir mil vezes a dor que ele sentia, e esperou horas por uma ambulância. A que chegou era do SAMU e o médico que veio perguntou ao de plantão no HCQ (Hospital Clínicas Queimados) se já tinha feito isso e aquilo e o Dr. só balançava a cabeça afirmando que não e dizia que não tinha condições (entenda como equipamentos para realizar os exames). Benício foi na ambulância junto ao meu corpo e agarrou meu peito como quem diz “me ajuda mãezinha”. Como tinha plano de saúde e vaga no Prontonil de Nova Iguaçu fomos para lá. Eu jamais pensei que não sairia como meu bebê vivo dali, disse a ele: Calma, benzinho, mamãe só vai deixar você fazer os exames e te levar para casa. Lá sim havia suporte, fizeram raio X, hemograma, exame de urina, ... Coisas que já deveriam ter sido feitas de imediato!
Para resumir, meu bebezinho chegou estável, mas teve três paradas cardíacas. A primeira, uma hora depois, e logo que ressuscitado foi encubado. Então, veio o resultado da chapa do pulmão dele e estava todo tomado por uma bactéria chamada Sepse. Esta, é irreversível, não tem como descobrir antes, não tem como prevenir, pois pode ter nascido com ele, alguém pode ter abraçado-o com ela ou pode ter pegado no ar – palavras da Dra. Júlia que cuidou dele no Prontonil. A segunda parada causou uma paralisação no lado direito de seu rosto e corpo, então mesmo que ele fosse uma das raras pessoas que sobrevivem ficaria vegetativo. Mas a Dra insistiu, pois era uma vida, injetou morfina, fez de tudo; mas na terceira a bactéria atacou o coração e não teve mais como salvá-lo.
Peço à produção que LEIA e entenda o pedido de uma mãe que está sofrendo, mas só pensa em outras mães:

Meu filho tinha plano de saúde que era caro e mesmo assim a ambulância demorou seis horas para chegar; quando ele já tinha ido.
O único local em Queimados que tem UMA ambulância funcionando é no UPA e ela não poderia sair pro 10km para ir até o outro hospital e ele não podia sair sem os tubos para ir até o UPA (ou seja, serve de enfeite para dizer que tem). Porém, no estacionamento do Posto 24horas tem várias ambulâncias paradas esperando concerto.
Como um Hospital que na própria entrada diz “Referência em Saúde” não tem uma ambulância? Não tem uma incubadora? Não tem uma máquina de raio X? Recebendo R$800.000,00 do governo!
O SAMU não poderia vir, mas fizemos contato com várias pessoas influentes da cidade que conseguiram o socorro.
Minha sogra mora na rua que dá para os fundos do HCQ, quantos caixãozinhos meu marido viu sair dali? MUITOS! E sempre pediu a Deus para não ter que carregar um.

Eu só peço que me deixem falar, que me ajudem nesta causa: Não quero ver outra mãe sofrer por falta de assistência, porque de que adianta um HCQ infantil só para dar vacina ou remédio para gripe? Quantas pessoas humildes terão que ver seus filhos morrerem sem poder fazer nada. Falamos com vereadores, secretários, assistente social e até com o próprio prefeito MAX LEMOS que não sabia o que fazer, pois ficou preso pela burocracia!! Graças a Deus, tínhamos conhecimento de quem procurar, e quem não tem? Um pai e uma mãe merece esse sofrimento? Meu filho lutou precisando de assistência durante quase seis horas, eu ouvia e imaginava sua dor.
Ajude-nos, produção, a fazer com que o falecimento de meu filho sirva para melhorar a saúde para tantos outros bebezinhos que podem vir a sofrer e pelos que já sofreram.


Que meu bebê lindo possa ajudar outros!

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